domingo, 14 de outubro de 2018

Sobre ser criança


Eu tentei por bastante tempo parecer mais velha. Queria ser adolescente, adulta, trabalhar. Lia livros que não eram para a minha idade, falava de assuntos que não eram para minha idade e aí era chamada de madura. Muito madura para minha idade. Foi aí que realmente amadureci, começando a trabalhar muito cedo, aguentando cargas que talvez não precisasse aguentar, conhecendo ótimas pessoas e outras extremamente chatas.
Um dia olhei para mim e vi uma chata, cheia de compromissos e preocupações.
O espelho disse, coitada! Sabe, cara de coitada mesmo, com olheiras e tudo?
Talvez ele seria mais duro se pudesse falar sobre o que havia por dentro...
Comecei então a lembrar da linda criança que já tinha sido um dia. Do quanto gostava de jogar bola, de rio, de cantar, de escrever, de pular, do quanto era incansável, inteligente e querida.
Nem foi difícil, porque me vejo todos os dias, em cada passo da minha filha.
E, por que eu queria crescer mesmo?
Sim, agora entendi que é preciso ser criança para amadurecer. Então, amadureci.
Tenho quase 30 anos e descobri que sou criança e só assim que não me torno tão chata.
Faço birra às vezes. Reclamo de não poder comer doce o tempo todo. Brigo com algum coleguinha se necessário. Insisto, insisto, se quero muito alguma coisa. Danço se tenho vontade e canto também, mesmo que na fila do supermercado. Faço o que quero, só faço o que não quero por quem vale muito a pena. Exponho minhas opiniões sem medo de ser feliz, nem ligando para algumas caras feias. Rezo o Santo Anjo e peço muito por todos. Com certeza, amo mais outra pessoa do que a mim mesma.
Menos cobranças e mais criancices.
Beijos criançada!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

A beleza finita, infinita Certamente é natural um dia não ser mais belo o carro quebra, fica velho o bebê chora, ou não cabe no colo, o...