Eu tentei por
bastante tempo parecer mais velha. Queria ser adolescente, adulta,
trabalhar. Lia livros que não eram para a minha idade, falava de
assuntos que não eram para minha idade e aí era chamada de madura.
Muito madura para minha idade. Foi aí que realmente amadureci,
começando a trabalhar muito cedo, aguentando cargas que talvez não
precisasse aguentar, conhecendo ótimas pessoas e outras extremamente
chatas.
Um dia olhei para
mim e vi uma chata, cheia de compromissos e preocupações.
O espelho disse,
coitada! Sabe, cara de coitada mesmo, com olheiras e tudo?
Talvez ele seria
mais duro se pudesse falar sobre o que havia por dentro...
Comecei então a
lembrar da linda criança que já tinha sido um dia. Do quanto
gostava de jogar bola, de rio, de cantar, de escrever, de pular, do
quanto era incansável, inteligente e querida.
Nem foi difícil,
porque me vejo todos os dias, em cada passo da minha filha.
E, por que eu queria
crescer mesmo?
Sim, agora entendi
que é preciso ser criança para amadurecer. Então, amadureci.
Tenho quase 30 anos
e descobri que sou criança e só assim que não me torno tão chata.
Faço birra às
vezes. Reclamo de não poder comer doce o tempo todo. Brigo com algum
coleguinha se necessário. Insisto, insisto, se quero muito alguma
coisa. Danço se tenho vontade e canto também, mesmo que na fila do
supermercado. Faço o que quero, só faço o que não quero por quem
vale muito a pena. Exponho minhas opiniões sem medo de ser feliz,
nem ligando para algumas caras feias. Rezo o Santo Anjo e peço muito
por todos. Com certeza, amo mais outra pessoa do que a mim mesma.
Menos cobranças e
mais criancices.
Beijos criançada!

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